Acaraú / CE - terça-feira, 12 de dezembro de 2017

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Biópsias

Biópsia é uma intervenção cirúrgica mínima que envolve a realização de uma incisão na pele a fim de obter-se pequenos fragmentos, seja da própria pele, nervos periféricos ou músculos com a finalidade de permitir-se detalhada examinação histológica, histoquímica ou bioquímica.

Os mais comumente músculos biopsiados são o bíceps nos braços, o quadríceps na coxa e o gastrocnêmio, nas pernas. Outros músculos, como o deltóide podem ser biopsiados, conforme indicado.

Os fragmentos de pele preferencialmente são colhidos nos locais de lesões a serem estudadas e as biópsias de nervos podem ser realizadas através de estudo de fragmentos de pele (que conterão ramificações mínimas de nervos) ou através da biópsia objetiva de nervo mais calibroso. O ramo cutâneo do nervo fibular ou mais raramente, o nervo cutâneo lateral da coxa são as escolhas primárias.

Dentre as indicações principais para as biópsias, citaremos, pois:

Biópsia de pele:

  • Estudo de neoplasmas

Biópsia de pele e nervo:

  • Pesquisa de Hanseníase.
  • Doenças auto-imunes
  • Doenças hereditárias

Biópsias de nervo:

  • Pesquisa de Hanseníase
  • Pesquisa de neuropatias periféricas
  • Doenças hereditárias.

Biópsias de músculo:

  • Diagnóstico diferencial das miopatias
  • Diagnóstico diferencial das neuromiopatias
  • Estudo nos neoplasmas (leio e miosarcomas)
  • Pesquisa de doenças hereditárias e erros de metabolismo

 

Realizando a biópsia:

O procedimento é sempre executado sob anestesia utilizando-se lidocaína. Após a seleção apropriada do músculo para biópsia, a pele é limpa com agentes anti-sépticos adequados, são instalados campos esterilizados e aplicado no local da incisão o agente anestésico anestesiando pele e tecido subcutâneo. Na biópsia de pele observa-se o cuidado de retirar-se fragmento que possua a lesão a ser investigada, assim como pele íntegra. Este procedimento facilita a análise posterior além de prover uma margem de segurança adequada em especial na presença de neoplasmas. As biopsias de pele e nervo são pouco mais extensas, visando a reunir na peça anatomopatológica a maior quantidade possível de nervos subcutâneos. Nas biópsias musculares, são colhidos de quatro a cinco fragmentos musculares.

Após a coleta do sample, a pele e subcutâneo são suturados e curativo é aplicado na área. Geralmente os pontos são retirados entre três a sete dias, conforme a localização e tipo de tecido sobre o qual foi realizada a incisão.

Em geral o desconforto relatado pelo paciente manifesta-se durante a aplicação do anestésico e a retirada de fragmentos musculares e tem duração em geral limitada á poucos segundos.

A utilidade da biópsia depende intimamente da finalidade específica da indicação para a realização do procedimento, assim como a seleção do paciente. Falhas na obtenção de diagnóstico útil freqüentemente relacionam-se à escolha inapropriada do sítio da biópsia.

Especificamente no caso de biópsias musculares, este exame deve ser sempre precedido de examinação clínica, análise de enzimas musculares, e exames complementares, como a eletroneuromiografia. Somente quando esses exames prévios não fornecem os resultados necessários, estaria indicada a biópsia muscular. Quando corretamente indicado, a biópsia permite, per si, a obtenção de diagnóstico, na maior parte das vezes, de certeza. Talvez, considerando-se apenas o fator custo, as biópsias musculares quando realizadas como procedimento único apresentariam relação custo-benefício satisfatória, quando comparado aos custos da investigação laboratorial e eletroneuromiografica, contudo trata-se de procedimento invasivo e, com tal, sempre que possível deveria ser protelado em benefício da realização de procedimentos não invasivos. Neste sentido, as biópsias são consideradas como último recurso na elucidação diagnóstica de determinada condição clinica.

Salientamos que a biópsia nunca é realizada antes que se tenha formulado hipóteses diagnósticas consistentes.

Antes da realização, o paciente deve ser informado quanto á razão da biópsia, a escolha do local e material da biópsia, a técnica a ser empregada, os riscos, as possibilidades de complicações e a expectativa do médico em relação aos resultados. Também é importante informar-se ao paciente que as biópsias estão sujeitas à possibilidade de erros de amostragem e resultados falso negativos que, embora raríssimos, não excluem a presença da doença suspeitada.

 

Nós recomendamos que a biopsia, em especial as de musculo, nervo e pele e nervos seja executada por neurologista, neurocirurgião ou cirurgião experimentado, possibilitando o adequado manejo do paciente e permitindo-se que a coleta do material se faça da forma mais objetiva o possivel, visando evitar-se a coleta de fragmentos pouco representativos para análise anatomopatológica, histoquímica e bioquímica.

De forma ideal, em especial nas biópsias musculares, o fragmento coletado deveria ser imediatamente enviado ao laboratório de anatomopatologia, onde é congelado e seccionado. Quando não se dispõe de laboratório de anatomopatologia nas proximidades, a peça deve ser imersa em conservante e remetida a seguir para o laboratório.

Várias rotinas são aplicadas, conforme o tipo de tecido a ser analisado e às finalidades ou suspeita clinica em estudo.

 

Recomendações:

 

As biópsias são geralmente procedimentos de pequeno porte e preparo especial não é requerido. Contudo, recomendamos que, caso em uso de medicamentos que reduzam a capacidade de coagulação sanguínea, tais como AAS, warfarin (Marevan), Ticlopidina (Ticlid), clopridrogrel (Plavix), heparina, enoxiparian (Clexane), assim como corticoides (predinisona, predinisolona, hidrocortisona, dexametasona e outros) seja informado ao profissional que executará a biópsia com uma antecedencia mínima de 48 horas, a fim de se tomar medidas necessárias conforme cada caso.

 

No caso de biópsias musculares é recomendado não submeter o musculo biopsiado à cargas mecanicas por pelo menos quinze dias.

 

A retirada dos pontos se faz entre três e 10 dias, dependendo do sitio onde foi executada a incisão de pele.

 

Observadas as técnicas de assepsia e antissepsia adequadas, o uso de antibióticos profiláticos não é necessário, exceto á critério médico.

 

O esclarecimento das dúvidas e examinação prévia do paciente por parte do profissional que realizará a biópsia devem ser efetivados na consulta que antecede ao procedimento.